sexta-feira, abril 10, 2009

Paradoxo Económico: Poupança vs Fundos.

Por: Leandro Gameleira do Rego

A imprensa passou as últimas semanas num estado de furor desde que o presidente Lula disse em Nova York, no mês passado, que o governo brasileira precisaria mexer nas regras de rendimento da poupança. o governo nega a existência de qualquer projeto que vise esse fim, entretanto com a taxa básica de juros baixa, as demais aplicações financeiras no geral ficam menos atractivas.
Mas afinal, por que isso acontece, e como isso afeta minha vida?
Bem! a aplicação na caderneta de poupança tem rentabilidade garantida pela constituição de 6% ao ano + a TR (taxa referencial). o poupador não paga tributos sobre a movimentação do dinheiro, nem taxa administrativa, cobradas em outras aplicações pelas instituições financeiras. Quando os juros de outras aplicações caem muito, a perspectiva de menor risco, mesmo a rentabilidade um pouco menor que nos fundos e outras aplicações, deixa a poupança mais atrativa para investidores.Outra coisa que a legislação garante, é que 65% de todo o dinheiro aplicado nas cadernetas de poupança do país, deve ser utilizados para financiamento da casa própria, enquanto que as aplicações nos fundos são destinadas a empréstimos e financiamentos de outros bens. Consequentemente, quando o dinheiro passa a fluir dos fundos para a poupança, o crédito diminui, a economia desaquece, que é exatamente o que o governo tenta evitar a todo custo.
O que si especula: Como a rentabilidade da poupança de 6% ao ano é garantia constitucional, e mexer na constituição alem de dar muito trabalho, ser um processo demorado, polémico e péssimo para a popularidade do governo; uma provável "solução" seria desvincular a poupança da TR e veiculá-la de algum modo a SELIC. De qualquer forma, reduzir a rentabilidade do porquinho vai ser péssimo para o bolso do poupador e também para a imagem do governo.
Uma outra opção, também especulada pela imprensa, é a redução dos tributos sobre os fundos de investimento. Mas reduzir a carga tributária, ou seja, mexer no bolso do governo, também pode ser bastante prejudicial uma vez que o governo já fez outras isenções como o IPI sobre os veículos e o Imposto de Renda.
Seja qual for a ação do governo, terá tantas consequencias negativas quantas forem as positivas. até o momento. O governo não sinalizou nenhuma atitude a ser tomada, mas não fazer nada pode ser a pior delas.

sábado, janeiro 24, 2009

Projeto Super Router com Mini-ITX

Projeto Super Router com Mini-ITX

Ialização: Leandro Gameleira do Rego
construção: Roldão gameleira do Rego
Programação: Roldão Gameleira do Rego Junior

Devido a baixa disponibilidade de provedores de conexão a Internet em minha cidade, somente 2 provedores ofereçam conexão "banda larga", 128 mbps ou mais, que utilizam conexão WI-FI. O mais antigo e mais bem estruturado com cobertura que abrange diversas cidades, Brisanet, e um que está começando, Autoeste-net.
Principais diferenças: o Autoeste-net, apresenta um menor custo da mensalidade, entretanto, o Brisanet oferece um serviço de conexão com IP válido, o que para webnauta (ler artigo A Internet Além do Orkut - Desabafo de um Internauta Veterano) pode não fazer nenhuma diferença, mas para um profissional do ramo da Internet existe uma diferença substancial.
Assim, optei pelo IP válido mesmo com custo superior. Entretanto, há um inconveniente: o provedor oferece um serviço no qual meu micro se conecta ao AP wi-fi e faz uma nova conexão em uma VPN que dá acesso a rede externa e estabelece o IP externo, configurado em uma conexão de longa distância no Windows.
Isso mesmo, eu disse Windows; o provedor não oferece suporte a Linux. e como eu aposto que na cidade inteira deva existir no máximo meia dúzia de pessoas que tenha algum domínio de instalação e configuração de Linux, das quais eu NÃO sou uma delas, acho que poucas pessoas tenham conseguido conectar a essa utilizando LINUX.
Até hoje só conheci uma pessoa que conseguiu fazer isso: e pra minha maior sorte, essa pessoa é meu irmão.

Aí você me pergunta: o que tudo isso tem haver com com o tema proposto neste artigo?
Bem. a incoveniênica da VPN é que para acessar a Internet em outra máquina de minha rede local, por exemplo o notebook, eu precisava estar como o micro a qual a placa wi-fi está conectada ligado, logado em um usuário do Windows e com a conexão VPN ativada.
Assim resolvi comprar um roteador para resolver esse "problema".
NÃO ENCONTREI. nenhum roteador a venda no mercado que poderia solucionar meu problema, eu teria que encontrar algum com memória suficiente para instalar um sistema operacional (LINUX) no lugar do firmware do fabricante, correndo o risco do hardware não ser compatível. Nem mesmo assim foi possível encontrar um que servisse.
Solução? construir um.
Eu poderia usar uma CPU antiga, mas ficaria algo extremamente grande e ineficiente em termos de consumo de energia. Então meu irmão deu a dica de usar uma mini-ITX.
Depois de muito procurar, e me decepcionar, sobre projetos de minicomputadores, descobri que esse negocio tá engatinhando no Brasil.
Resolvi arriscar e me empreitar numa jornada para criar o "Roteador Perfeito".
Varri a Internet e não encontrei um distribuidor oficial dessas placas. Entrei em contato com um vendedor de hardware local, ele tem mais contatos, para tentar encontrar a tal placa a venda. Depois de alguns dias de muita insistência de minha parte, ele mi retornou com o preço de um fornecedor dele: R$ 398,00.
Isso só pela placa com processador, eu ainda precisaria da memória, do gabinete, da fonte e do HD, peças que eu não fazia nem ideia de onde encontraria.
Tive que apelar para o Mercado Livre, mesmo assim não foi fácil, mas consegui encontrar uma placa mini-ITX com processador Intel 800mhz com memória 256mb que saiu por R$ 250,00, não era tão boa quanto a do meu fornecedor local, mas custava metade do preço. comprei.

A placa Mini-ITX

Agora eu precisava encontrar o gabinete e fonte. Se a placa foi difícil, esses outros dois foram quase impossíveis. Apesar da placa funcionar com fontes mini-ATX normalmente, a fonte adequada para ela mais barata que pude encontrar, custava R$ 165,00 e o gabinete R$ 175,00 e ainda faltava o HD. eu poderia usar um HD de 3,5 ou 2,5 para notebook. Assim calculei que gastaria uns R$ 1.000,00 para o aparelho ficar pronto. A esse custo, eu poderia comprar um computador e tanto. Além do custo eu teria um outro problema, onde colocar a placa WI-FI? (Eu não poderia usar uma wi-fi USB pois não teria alcance da torre do provedor)

A Placa Wi-Fi e o Pig-tail

Assim resolvi improvisar: Graças ao bom Deus, eu tenho uma família criativa e habilidosa, que gosta de ajudar e de inventar. Resolvi construir o gabinete usando uma fonte mini-ATX antiga de 300 wats. Tive que pedir ajuda a meu pai, não só pelo fato de ele entender de eletrônica, mas por ele ter habilidade em trabalhos manuais em geral. Comprei o material necessário para construir o gabinete, chapa de alumínio, trilhos e alumínio em L e arrebites. Como ele é um sujeito muito ocupado, tive que ser paciente e a construção demorou 3 semanas.
Como a idéia era criar um roteador, e economizar energia, não havia necessidade de um HD, e apesar da placa mini-ITX ter um conector para cartões Compact Flash na parte inferiro, eu estava disposto é economizar o máximo, então resolvi colocar um pen-drive que pouco eu usava como dispositivo de armazenamento. Claro que seria incoveniente deixar o pen-drive espetado na parte traseira da placa, eu teria que usar a USB interna. comprei um extensor USB para portas traseiras e retirei a chapa de aço.

O "HD"

Aproveitei que havia uma porta sobrando para colocar um bluetooth que também estava encostado, pode ser interessante e útil no futuro.

A Fonte

Para construir o gabinete tivemos que partir da fonte e literalmente partir a fonte.
Foi usada uma fonte mini-ATX sem a tampa superior e com um dos lados do chassi arrancados. A idéia era sobrepor a mini-ITX com a fonte. Consideramos que seria melhor assim ao invés de colocar as duas lada-alado já que a placa wi-fi obrigava que o gabinete tivesse 11cm de altura, a sobreposição reduziria o comprimento.

O gabinete
Primeiramente construimos a armação da estrutura com trilho em L de alumínio e arrebites. após a fixação da fonte na armação e cobertura com chapa de alumínio, tudo arrebitado, adicionamos uma chaves On/Off que tornaria mais conveniente. Como a idéia é montar um dispositivo que fica ligado 24hs por dia não havaria muita necessidade de uma chave Power ligada a placa mini-ITX. mas eu tive que programar a placa para ligar automaticamente. Como eu fiz isso sem ter uma chave power para ligar a placa pela primeira vez? Usei um jumper.

Como nesse projeto não há outros dispositivos alimentados pela fonte além da placa mãe, removemos todos os cabos e conectores da fonte, deixando somente o conector ATX.

Essa parte a qual a fonte foi fixada na verdade é a tampa, na Base ficará fixada a placa mãe.
Na base foram fixados parafusos aos quais a placa foi encaixada e presa com poucas.
Esse é o Resultado Final:
Tamanho:
Comprimento:
Largura:
Altura:
Custos
Placa Mão Mini-ITX: R$ 250,00
Placa Wi-fi PCI: R$100,00
Fonte Mini-ATX: R$ 25,00
Portas USB: R$ 13,00
Pen-drive 1GB: R$ 30,00
Bluetooth USB: R$ 20,00
Chapa de Alumínio: R$ 10,00
3m de trilhos de Alumínio em L: R$ 12,00
75 Arrebites de alumínio pequenos: R$ 5,00
Total do custo do Hardware: R$ 475,00

Meus agradecimentos especiais ao homem que construiu essa maravilha, o senhor Roldão Gamleira do Rego (meu pai).

A Coisa pronta


O hardware está pronto. Essa foi a parte difícil, agora vem a missão impossível: o software. Esse eu deixei por conta do meu irmão, Roldão Gameleira do Rego Júnior, esse da foto segurando o micro, que manja bastante do assunto, ao contrário de mim que sou tapado no que se refere ao Linux.

domingo, dezembro 28, 2008

A Ilusão da Promoção

Por: Leandro Gameleira do Rego

Terminado o período natalino, começam as promoções de queima de estoque de final de ano. E se você é do tipo que gosta de comprar, e não resiste a palavra PROMOÇÃO, provavelmente já fez suas compras nas promoções de natal, mas, não vai deixar de aproveitar as de ano novo.
Entretanto, você si perguntou quanto você gastou neste Natal? e se você fosse comprar as mesmas coisa agora? Quanto gastaria?
Parece um disparato o fato de produtos que estejam a venda no período natalito a um preço, e após o ano novo as lojas ofereçam os mesmos produtos com descontos que, em alguns casos como roupas por exemplo, chegam a 70%.
Você, comprador compulsivo, nunca si questionou porque isso acontece?
Ponha-se no lugar do lojista: Se você tivesse uma loja de cama mesa e banho, e oferecesse uma desconto de 50% em praticamente todos os produtos, quanto poderia ter de prejuízos?
Resposta: NADA. Em sua san consciência, nenhum lojista irá vender um produto abaixo do custo, amenos que esteja vendendo um outro com margem de lucro suficiente para cobrir a diferença.
Pense: se em uma determinada loja, eu comprei uma camisa de grife por R$ 120,00 e hoje nesta mesma loja a mesma camisa está com uma promoção de 50%, ou seja, R$60,00; aceitando que o vendedor não esteja meio ruim da cabeça, e que ele esta vendendo agora com margem de lucro 0%, já incluindo o que ele pagou pela peça, o custo com o salário dos empregados e com a manutenção da loja; somente para si livrar daquela peça que sairá de moda dentro em breve. Então podemos dizer que o vendedor, quando mi vendeu a camisa antes do natal, obteve um lucro de 100% sobre seu custo total.
Por que então eu não comprei a camisa por R$80,00 ou R$100,00?
Talvez eu não tenha pechinchado o bastante, talvez o preço não importasse tanto quanto a vontade de comprar a camisa. o fato é que uma camisa que custou ao vendedor R$60,00, foi vendida pelo dobro desse valor.
Isso não acontece somente com roupas. Praticamente todas as lojas de bens de consumo duráveis ou não oferecem descontos promocionais ou ocasionais para incentivar a compra de seus produtos tanto para o estoque novo quanto para o velho.
Nem conto quantas vezes, navegando em sites de vendas na Internet, vejo um produto por um preço e poucos dias depois recebo uma mensagem de e-mail da mesma loja oferecendo o mesmo produto com desconto. É como se o produto estivesse etiquetado com o preço acima do valor de venda, somente para que o vendedor ofereça um desconto que incentive o comprador a adquiri-lo. É como si estivéssemos negociando na bolsa de valores: O vendedor oferece um produto a um preço, o comprador pede desconto, se o vendedor não oferece o desconto, corre o risco do comprador desistir e o produto encalhar, se o comprador não adquiri-lo sem desconto, corre o risco de o produto acabar. Um jogo de negociações.
Os Economistas chamam isso de lei da oferta e demanda. Se tem muita gente querendo alguma coisa, ela sobe de preço, mas nem por isso deixa de ser vendida. Quando a procura é menor que a oferta, o preço cai, mas em raros casos o comerciante irá vender abaixo de seu custo, e quando isso ocorrer, provavelmente as vendas do período de preço mais alto cobrirão tranquilamente essa diferença.
Assim, sempre que você vir a palavra PROMOÇÃO exposta numa faixa, parede ou placa, antes de sair comprando, faça uma crítica, observe os preços dos mesmos produtos em outros lojas e aproveite as compras de fim de ano.

terça-feira, junho 24, 2008

Fatos e Mitos da Segurança da Informação

Por: Leandro Gameleira do Rego

Esta semana recebi uma mensagem intitulada URGENTE PESSOAL, que trazia o seguinte texto:

Me avisaram, to te avisando também!
No Orkut, tem uma mulher chamada Aaaaaa Bbbbb,
Convida vc pra entrar como amigo mas na verdade é um HACKER super perigoso que, após ser aceito, clona seu perfil e tem o poder de deletar seu PC.
Se aaaaaaaaaaa@bbbbbbb.cccQuiser te add, não aceite porque é um vírus e em 3 minutos ele destrói seu HD.
Avisa pra todo mundo da sua lista, PORQUE SE ALGUM AMIGO SEU ADD, VOCÊ TAMBÉM PEGA!
Por favor avisa todos os seus amigo. Repito GERAL!
Porque se alguém da sua lista pegar..............VOCÊ TAMBÉM PEGA.

Dá pra imagina o quão assustado eu fiquei ao ler esta mensagem, não necessariamente pelo alerta do risco e da possibilidade de ter meu computador "deletado", mas muito mais pelo nível de compreensão que seu remetente aparenta ter sobre noções de segurança da informação. O alerta é válido, mas seria muito mais eficiente se esclarece a natureza do funcionamento do ataque; assim, o usuário avisado poderia reconhecer um atacante independente do nome "fulano" ou "cicrano". Na verdade, o problema é que a mensagem traz avisos de ameaças no mínimo equivocados. Isso se deve ao fato de a grande maioria dos usuários da internet não conhecer noções e conceitos básicos sobre os computadores e a internet. Conceitos de hacker, vírus e mesmo periféricos como o HD são distorcidos na ótica do usuário não técnico, provocando equívocos como os apresentados na mensagem acima. Mensagens como esta, não ajudam os usuários a se proteger, apenas provocam o comportamento mais inadequado quando o assunto é segurança, o pânico.
O Orkut pode ser uma porta aberta a pessoas mau intencionadas que desejar prejudicar ou se beneficiar de usuários inexperientes e desavisados, por meio dele o usuário imprudentemente disponibiliza para o mundo informações pessoais suas e de sua família, fotos e itinerários de seu cotidiano e outras informações importantes. Pode ainda receber links para arquivos, programas ou paginas maliciosas que, si abertos, podem realmente trazer dores de cabeça ao usuário. Entretanto, é preciso manter a calma, alarmar-se não vai ajudar.
Primeiro,D"justify">Primeiro,D"justify">Primeiro, é impossível para um hacker atacar um computador sem que para isso o usuário tenha aberto algum arquivo ou acessado alguma página enviada por ele; o simples fato de aceitar alguém como amigo no orkut não vai "deletar o seu PC". Aliás, creio que isso só seria possível em um plano metafísico, uma vez que o PC é o equipamento eletrônico, hardware, físico; enquanto que somente as informações contidas nele é que podem ser deletadas, pois são dados lógicos, informações armazenas na forma digital.
Em segundo lugar, até o momento desconheço o fato de os servidores do orkut terem sidos contaminados por algum vírus que saísse contaminado as máquinas dos usuários que acessam o site. Um vírus nada mais é que uma instrução contida em um programa de computador que faz com que quando executado, o programa copie a instrução para dentro de outros programas do mesmo computador e para outros computadores da rede, alem de fazer outras tormentas como excluir arquivos abrir, provocar falhas no sistema, enviar informações para outras pessoas através da Internet, entre outras. Alem disso, não me recordo nesses quase quinze anos que lido com informática e dez que uso a Internet de um vírus que fosse capaz de destruir um HD. O computador não é uma bomba de controle remoto, e nenhum de seus componentes pode ser programado para se destruir a distancia pela instrução de um vírus, na pior das hipóteses, o vírus vai apagar informações contidas no HD e ou envia-las para onde o criador do vírus tenha programado. O que não significa um alívio; de fato, o preço de um HD hoje varia de R$200,00 a R$500,00 e a perda ou vazamento de informações pode significar prejuízos muito maiores. O que é preciso se ter em mente, é que o simples fato de adicionar alguém no orkut não irá danificar fisicamente seu equipamento, entretanto é preciso ter cuidado com as mensagens e arquivo recebidos, pois esses podem conter vírus ou algum outro tipo de instrução que possa trazer danos.
Um exemplo de ataque que está sendo utilizado atualmente.
Semana passada recebi um email aparentemente inofensivo, mas tentador, e supostamente de alguém que está na minha lista de amigos do orkut. A mensagem falava de um suposto vídeo pornô feito por uma atriz muito famosa da televisão em um site de vídeos similar ao YouTube. Como sou experiente, percebi na hora que se tratava de uma mensagem falsa e de um provável ataque. Entretanto, resolvi fazer uma análise do ataque para entender melhor como ele funcionava, mas, para isso, eu teria que acessar o link que vinha na falsa mensagem, o que provavelmente me levaria para um arquivo contaminado. Assim, tomando as devidas providências resolvi seguir adiante com minha análise.
Em primeiro lugar, verifiquei que o link disponibilizado na mensagem apontava para o site desconhecido e duvidoso. Isso já seria motivo suficiente para um usuário experiente não seguir adiante, mas como eu queria conhecer o modo do ataque cliquei no link. A pagina do suposto site de vídeos abriu com a foto da atriz famosa seminua. Até esse momento tudo bem, não havia nenhum fator de risco. Entretanto, ao clicar no botão play para visualizar o vídeo, fui avisado pelo site que para visualizar o vídeo eu precisaria ter a versão mais actualizadas do flash player, semelhante ao que aocntece no You Tube, e fui redirecionado para a página de download do progrma. Para quem ainda não entendeu, o flash é o objeto animado que pode incorporar texto, imagens, sons e vídeos e seu produtor é a Adobe Systems. Bem, antes de clicar no link para fazer o download e executar o programa de instalação, verifiquei que o link apontava para um arquivo executável em um site que não era o site oficial da Adobe, além disso a pagina em que o link estava disposto era idêntica ao site a adobe, mas o endereço é outro, tratando-se de uma pagina clonada. A partir desse ponto entendi o modo de operação utilizado no ataque que ilude o usuário, convencendo-o a executar um falso programa de instalação e assim acabar infectando seu computador com vírus e trojans que podem danificar o sistema e roubar informações.
Esse é apenas o exemplo de um ataque engenhoso que pode iludir qualquer usuário inexperiente ou desatento, ou que não possuo o conhecimento técnico básico para navegar na Internet. O Importante nesses casos é tomar o cuidado de antes de clicar em um link, verificar para onde ele aponta, o que pode ser observado na barra de estatus de seu navegador ao posicionar o ponteiro do mouse sobre o link. Devemos tomar cuidado também com qualquer arquivo que abrimos, devendo conhecer a procedência desse arquivo. A prudência é a principal arma de defesa de qualquer usuário.

quinta-feira, setembro 28, 2006

A PROPAGANDA É A ALMA DO NEGÓCIO
Por: Leandro Gameleira do Rêgo
Devido a uma série de bugs que se apresentavam ultimamente quando eu utilizava o computador, resolvi formata o HD e reinstalar todos os programas novamente. Ao instalar o Live Messenger, programa de comunicação por mensagens instantâneas pela Internet, me deparei no site do fabricante deste software com uma noticia que agora, os usuários do Live Messenger agora poderiam se comunica om usuários do Yahoo Messenger, programa similar de outro fabricante, através do próprio Live sem a necessidade de instalar os dois programas no computar. A principio pode não parecer grande coisa, mas isso mi fez pensar: Q motivos levariam a Microsoft e a Yahoo a integrarem seus mensageiros? Talvez numa tentativa de enfrentar a concorrência, unido os dois sistemas integrando os usuários dos mesmos sem a utilização de softwares alternativos (programas de outros fabricantes capazes de conectar-se simultaneamente a vários sistemas de mensagem instantânea ao mesmo tempo). Com a integração dos usuários, vem a ampliação do públi9co alvo daquilo que considero a principal funcionalidade dos “Messenger’s”, a propaganda. Para quem não sabe, e não percebe, a publicidade é a mola mestre da Internet; pode não ter sido a razão de sua criação, mas com certeza é a responsável pela sua ampliação e disseminação em nível global. Qualquer pessoa que utilize a Internet pelo menos uma vez na vida percebe que é praticamente impossível abrir uma página da web sem se deparar com no mínimo um banner (faixa de anúncio ou propaganda) de algum produto ou serviço. Com os Messenger’s não é diferente, praticamente todos eles têm um anuncio em suas janelas principais ou link que levem o usuário a algum tipo de propaganda; alguns mais sutis outros mais diretos. Muitas vezes, os rendimentos provindos desse propaganda são contabilizados por exibições de benners ou clique nos mesmos, Assim, com a integração entre os sistemas, a quantidade de consumidores em potencial e de cliques tende a crescer substancialmente.
Outro fator, que pode e provavelmente contribuiu para esse fato, é a concorrência contra um outro sistema que vem crescendo assustadoramente nos últimos anos, principalmente nos EUA onde a quantidade de pessoas que possuem acesso a internet é maior, o Google Talk, que é o programa de mensagens instantâneas do Google. De fato, o Google vem desenvolvendo e disponibilizando aos usuários da grande rede uma série de produtos e serviços que, podemos dizer que, estão revolucionando o uso da Internet, aplicações baseadas em paginas que são bem leves, simples, mas ao mesmo tempo poderosas; tudo personalizável e adaptável ao perfil do usuário, além de possuir uma diversidade de serviços bem maior que o convencional: Serviços de busca, alertas, comunicação pessoal, e-mail, comunidades, blogs e ect; tem serviços para todo o tipo de usuário. A Microsoft, a Yahoo e os demais concorrentes não ficam para traz, e desenvolvem produtos similares ou novos que também atraia os usuários a utilizarem suas aplicações e serviços.
Com isso, o que percebemos é a criação de uma tendência no desenvolvimento da Internet, em que os produtos e serviços vêm se adequar cada vez mais individualmente ao usuário, e não o usuário tendo que se adequar ao serviço como era visto antigamente.
O PROCESSO DE PRIVATIZAÇÃO BRASILEIRO
Por: Leandro Gammelira
A Privatização é o processo de aquisição ou incorporação de empresa ou companhia pública por empresa privada. A privatização também chama de Desestatização de empresas tanto do Estado brasileiro quanto de outros países da América Latina e de todo o mundo, de acordo com o ideário neoliberal, seria um passo fundamental no processo de afastamento do Estado da economia e do mercado, possibilitando o processo e crescimento e desenvolvimento de toda a economia global, uma vez que as empresas poderiam concorrer livremente entre si, tanto dentro de seu país de origem, como em outros países. Segundo as doutrinas neoliberais, o Estado deve intervir o mínimo possível, não interferindo no equilíbrio do mercado, pois a livre concorrência traria não só a melhoria da qualidade dos produtos e serviços, mas também o barateamento dos mesmos, favorecendo também o consumidor. Entretanto, o processo de privatização brasileiro, planejado segundo as idéias neoliberais no governo Collor e posteriormente implantada pelos governos de Itamar Franco e FHC (Fernando Henrique Cardoso) parece, na verdade, descaracterizar essa doutrina em diversos aspectos, pois, para que se iniciasse o processo de desestatização das empresas brasileiras, o governo teve que preparar as empresas para serem privatizadas.
Destaquemos aqui que aspectos são esses e em que eles implicam.
Em primeiro lugar, em muitos casos, o governo teve que absorver dívidas de diversas empresas para que elas si tornassem operacionais e atrair possíveis compradores. Só esse fato implica que ao transferir essas dívidas para a união, o governo estará intervindo no mercado, uma vez que assume uma dívida que até o momento supunha-se que não poderia ser paga pela empresa, uma vez que a mesma não obtinha lucros para tal, além de afetar diretamente também os credores.
Em segundo lugar, o governo enxugou as folhas de pagamento da empresas, então estatais, antes de privatizá-las, arcando com todas as despesas indenizatórias dos trabalhadores. Fato que endividou ainda mais o Estado, que teve que tomar empréstimos para arcar com as indenizações.
Em terceiro, as empresas estatais, principalmente as de indústria de base receberam grandes subsídios do Governo para serem instaladas, e com a privatização, o compradores não precisariam arcar com a infra-estrutura para seu funcionamento. Assim, o Governo no final das contas acabou por subsidiar o capital privado, exatamente o oposto do que pregam os neoliberais.
Em quarto, o governo aceitou o uso de moedas podres como parte do pagamento pela compra das empresas estatais (Títulos da dívida pública emitidos pelo governo, que por não possuírem liquidez foram se desvalorizando ao longo do tempo) e no final das contas os compradores das empresas ou grupos compradores puderam adquirir esses títulos bem menores que seus valores de face e utiliza-los para pagar ao governo pelas estatais compradas, por seus valores reais de resgate (valor facial + juros). Se por um lado isso reduz a dívida do governo, por outro os compradores lucram imediatamente com isso, pois, no final das contas, o valor que pagaram para adquirir as empresas foi bem menor que o contratado. Assim o governo interfere mais uma vez na economia, subsidiando até os lucros das empresas privadas.
Em quinto lugar, o governo concedeu prazos bem acima dos normalmente estabelecido para que o pagamento pela compra das empresas fosse efetuado, dividindo o pagamento em parcelas de médio e longo prazo e concedendo carências bem generosas. Isso mais uma vez favorece muito a quem vai comprar, afetando a chamada “livre concorrências” a qual o neoliberalismo defende.
Em sexto, o governo concedeu, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), empréstimos a juros muito baixos, irrisórios, aos compradores para que eles pudessem efetuar o compra; injetando mais recursos na economia, descaracterizando a idéias de Estado desvinculado da economia de maneira diretas.
Tais aspectos quando considerados, nos fazem levantar esses questionamentos quanto à idéia de Estado Regulador, distante do mercado e extrínseco a economia do país o qual rege. A despeito da polêmica gerada, as privatizações brasileiras, ou melhor, a desestatização brasileira deixou uma série de indagações em aberto quanto ao modo o qual foi planejada e executada, deixando multas dúvidas e questionamentos quanto a sua legitimidade.


Referências Bibliográficas:

ANDRADE; Fabio Fontes de. Reestruturação Produtiva: dos novos padrões de acumulação capitalista ao novo parâmetro de políticas sociais; disponível em: http://www.urutagua.uem.br/010/10andrade.htm; acessado em 06/09/2006.

BIONDI, Aloysio. O Brasil Privatizado: Um Balanço do Desmonte do Estado. São Paulo, Editora Fundação Perseu Araújo, 2003, coleção Brasil Urgente.

BIONDI, Aloysio. O Brasil Privatizado II: O Assalto das Privatizações continua; São Paulo, Editora Fundação Perseu Araújo, 2003, coleção Brasil Urgente.

ROCHA, Marcelo. Privatização, Desnacionalização e Emprego; disponível em: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2002/08/33395.shtml; acessado em 06/09/2006.

Para Pensar.

"Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra"
SOCIEDADE CONSUMISTA
Por: Leandro Gameleira do Rêgo
Capitalismo é o sistema econômico que se caracteriza pela propriedade privada dos meios de produção. Nesse sistema, a produção e a distribuição das riquezas são regidas pelo mercado, no qual, em tese, os preços são determinados pelo livre jogo da oferta e da procura. O capitalista, proprietário de empresa, compra a força de trabalho de terceiros para produzir bens que, após serem vendidos, lhe permitem recuperar o capital investido e obter um excedente denominado lucro. Essas são as principais características do capitalismo. ´
Entretanto, há de se considerar que essa relação de compra e venda de força de trabalho não é tão simples quanto parece, existem muitas peculiaridades que devem ser apontadas tanto do ponto de vista econômico quanto social. O indivíduo que vende sua força de trabalho para o capitalista passa a fazer parte do processo de produção não mais como responsável por ela; perde sua individualidade e sua condição de ser pensante, e passa a ser objeto produtivo, mas não é dono do que produz, uma vez que o capitalista ao comprar a força de trabalho, adquire o direito de propriedade de tudo que é produzido por essa força. Assim o trabalhador passa a fazer parte daquele objeto o qual produz, pois sua força de trabalho, ou melhor, a força de trabalho que ele vendeu e agora não é mais sua, está incorporada na mercadoria e agora passa a ser negociada no mercado.
A relação de compra e venda de mercadorias apresenta também características aparentemente distorcidas, se considerarmos que as mercadorias ou bens negociados no mercado não são meramente objetos, mas sim resultado da força de trabalho alienada pelo capitalista, a um preço determinado pelo tempo socialmente aceito para a produção, incorporada nos bens e revendida direta ou indiretamente aos consumidores. Além disso, a mercadoria figura na sociedade capitalista, não só o objeto de negociação, mas também a núcleo de fundamentação das relações sociais; Daí si diz que a sociedade capitalista é a sociedade consumista, pois as relações de compra e venda são a base da estrutura social. Nesta sociedade é mais bem conceituado aquele que mais tem poder de adquirir um maior número de mercadorias, e tão inerente ao capitalismo é essa concepção que fica difícil distinguir se está se adquirindo uma mercadoria por necessidade fisiológica ou social. Na sociedade consumista, existe um fator que distorce a relação determinante do preço das mercadorias, as “Marcas”.
Para se ter uma idéia, alguns produtos similares que diferem muito o preço, somente por receber uma etiqueta com nome diferente. Tomemos como exemplo duas camisetas, que tem como valor de uso vestir o corpo e que foram produzidas utilizando o mesmo tipo de tecido, sendo do mesmo tamanho, mas de marcas diferente; entrando numa loja de uma marca de roupas muito conhecida, cujo nome lembra um adorno redondo que é prezo geralmente ao peito, podemos perceber que uma camiseta custará um valor muito maior somente pelo fato de ter essa marca específica estampada ou bordada.
De fato, aquele que sair na rua com essa camiseta certamente será mais bem conceituado que qualquer outro que saia com uma camiseta lisa ou com uma estampa menos conhecida. Mesmo não conhecendo o indivíduo, as pessoas tomarão juízo sobre ele com base naquela marca em seu peito. A marca passa a ser sua identidade assim como um parâmetro de referência a ele. Isso não acontece somente com camisetas, mas praticamente com todo e qualquer bem que adquirimos; as marcas passam a dominar a nossa vida, a determinar a nossa identidade, incumbidas em nossa mente, determinando os nossos gostos e nossas atitudes.
DESAFIOS E FRACASSOS DA HUMANIDADE
Por:
José Antonio Campos do Rêgo
Leandro Gameleira do Rêgo

É com a certeza de que os recursos naturais são cada vez mais escassos e menos renováveis, e que o meio ambiente está hoje mais degradado do que esteve ontem, no ano passado, ou no século passado que nos propusemos a organizar este artigo. O homem, o ser dos seres, o único o qual conseguiu desenvolver uma “inteligência racional”, age de forma impiedosa na busca de “crescimento” e “desenvolvimento” econômico sem dar ou querer dar conta do rastro de destruição ambiental que se segue à sua conquista ambiciosa. É através desta reflexão que fica clara a necessidade urgente de ser colocada a questão da sustentabilidade ambiental nas discussões políticas, nas associações de bairro, nas escolas, nos fóruns de discussões e até mesmo na família, ou seja, onde houver uma mente racional que possa compreender a necessidade urgente de ação. Esta clara a necessidade de ações tanto globais como locais no sentido de viabilizar políticas de desenvolvimento que incorporem os princípios de sustentabilidade e de ampla temática do meio ambiente. Essa consciência materializou-se através da aprovação de importantes acordos multilaterais como a “Agenda 21” em 1992. Nos dias atuais percebemos o quanto é difícil colocar esses acordos tão importantes em prática, pois os interesses econômicos e políticos das nações, muitas vezes, dificultam o seu cumprimento, mesmo após muitas tentativas de negociação entre as partes envolvidas nas conferências e seminários, tanto no âmbito nacional como internacional.
Todavia, pudemos presenciar um crescimento significativo no interesse da sociedade sobre as questões de proteção ao meio ambiente. A consciência ambiental ganhou magnitude e hoje interage com todos os setores sociais e os tomadores de decisão dos diversos segmentos e áreas do conhecimento. Mesmo com alguns avanços, persistem as dificuldades de inclusão efetiva da questão ambiental nas agendas e nas políticas de desenvolvimento em todo o mundo. A não efetivação dos compromissos estabelecidos são demonstrações deste contexto.
Em nome do “Desenvolvimento” há uma força que impera e coíbe ações mais consistentes na proteção ao meio-ambiente, e apesar da urgência dos problemas sociais e ambientais, na corrida entre a degradação dos ecossistemas e deste desenvolvimento, prevalece a degradação, enquanto o crescimento econômico que teoricamente nos livraria dos males, segue em seu curso perverso patrocinando a falência do meio ambiente e da sociedade.
Diante da insustentabilidade da desordem atual, em todas as dimensões: política, social, econômica, ambiental, cultural e ética; o debate entre desenvolvimentistas e ambientalistas se dá sem que consigam colocar um freio na desordem destrutiva que ora é reinante. Apesar de inúmeros congressos, seminários, pronunciamentos e discussões sobre a importância da biodiversidade, o que ser percebe são: milhares de espécies de plantas e animais ameaçados de extinção, inclusive a própria espécie humana como é o caso das populações indígenas que sofrem os impactos do avanço impiedoso do progresso da civilização industrial; surgimento de novas epidemias (vaca-louca, gripe do frango), desastres naturais (El Nino, La Nina, os Furacões Wilma, Catarina e Katrina, Tsunamis, etc.), aumento da pobreza com crianças morrendo prematuramente e seres humanos sofrendo os efeitos da poluição dos rios, lagos, do ar e do solo. O Globo e sua biodiversidade clamam por ações práticas em defesa de sua preservação, os exemplos desse clamor sucedem-se em períodos de tempo cada vez mais curtos.
É de fundamental importância repensar a reconstrução das indústrias, produtora de bens e serviços como também consumidora dos recursos naturais e matérias-primas. Para amenizar os efeitos do processo de deterioração social e ecológica de nossa sociedade é necessário redefinir as atividades industriais, abandonando aos poucos setores que produzem com matérias-primas não renováveis, que são intensivos em energia, e com alto grau de entropia. De pouco adiantará o crescimento econômico se este basear-se em atividades que consumam matéria-prima não renovável, que poluam o meio ambiente e que deixem resíduos tóxicos de complicado e lento tratamento. É mais que urgente resgatar a dívida ecológica.
Quando se sai do campo teórico e se busca perceber as ações dos governos na prática da defesa do meio ambiente, e consequentemente da vida, temos a angustia de nos deparar com exemplos como o da Agenda 21 (oriunda da Eco 92 no rio de Janeiro) em que foi elaborado um plano de ação com mais de duas centenas de propostas que induziriam mudanças. A promessa dos dirigentes das nações era implantar parâmetros para atividades econômicas ecologicamente sustentáveis, mediante o desenvolvimento de políticas ambientais. Mas, apesar de muitos desses governos, inclusive os Estados Unidos, terem criado comissões para desenvolver estratégias para a Agenda 21 em seu território, não ficou confirmado que esses exercícios resultaram em reais mudanças das políticas nacionais ambientais.
Uma análise dos resultados obtidos, inclusive em ações baseadas na Agenda 21, mostra que não há avanços em programas e projetos, em que a sociedade seja convocada e mobilizada para enfrentar os desafios mesmo sem o apoio do poder público. Desta forma torna-se necessária essa mobilização social e suas múltiplas organizações, articulando-se no contexto nacional e internacional para reformular as instituições internacionais, inclusive as Nações Unidas, visto que esta é formada em sua maioria por representantes das elites hegemônicas, contrárias às transformações necessárias para salvar o planeta e seus habitantes.
A primeira Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro, em 1992, suscitou a esperança de que o planeta iria em fim enfrentar seus problemas ecológicos e introduzir-se num processo de desenvolvimento sustentável. Com a segunda Cúpula realizada dez anos depois em Joanesburgo, esse sonho em grande parte esfacelou-se. E as principais razões para isso foram:
  • A década de 1992/2002, Rio/Joanesburgo, presenciou o fracasso quase total da Cúpula da Terra do Rio e de sua Agenda 21, em termos de resultados reais;
  • A intransigência dos Estados Unidos em assinar o Protocolo de Quioto e a Convenção sobre a Diversidade Biológica, ambas resultante da Eco 92, suscitou dúvidas acerca da capacidade do capitalismo em enfrentar a crise ambiental global. Os EUA, como principal potência hegemônica do sistema capitalista, mais uma vez assinalaram a sua rejeição à reforma ambiental, ao anunciarem que seu presidente, Jorge W. Bush, não compareceria à Cúpula de Joanesburgo;
  • A acelerada globalização neoliberal acentuou o antagonismo do sistema em relação às tentativas de promover a justiça econômica e ambiental em todo o mundo;
  • A Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável de 2002 ocorreu num período de relativa crise econômica e financeira, o mundo capitalista como um todo estava experimentando uma recessão global.

Porém, não sejamos demasiadamente pessimistas, pois, visto que ao longo dos anos surgiram sinais inconfundíveis de mudança no discurso, quem sabe, esse não se configurem em atitudes nas instituições que são tradicionalmente defensoras do livre mercado, Promulgando uma nova visão e caminhos que possibilitem o abrandamento da pobreza e Salvamento mais que necessário do meio ambiente.

CAPITALISMO COM SUSTENTABILIDADE
Chegaremos lá?
Por: Leandro Gamelira do Rêgo
Tema da moda em discursos econômicos, sociais e ambientais, o desenvolvimento sustentável tem gerado muitas controvérsias e causado polêmica, mas será que estamos indo mesmo a algum lugar?
A pergunta acima proposta não é o tema principal deste artigo, nem é proposta dele respondê-la, ela está aqui apresentada como reflexão e não como alvitre deste estudo. Não nos cabe questionar a veridicidade ou credibilidade dos trabalhos e estudos já publicados sobre o assunto, mas consideramos de categórica importância avaliar sempre os resultados das discussões visando sua reutilização na melhoria de nosso trabalho.
As discussões acercar do desenvolvimento do sistema capitalista mediante a conservação da natureza e o bem-estar da população, seja em caráter local ou global, tem sido objeto de estudo de economias, sociólogos e ambientalistas já há algumas décadas, e pelo que se pode até aqui perceber, esse estudo ainda está muito longe de acabar. Para entender exatamente de que tratam tais discussões, tornam-se necessários alguns esclarecimentos:Para começar, o porto de partida de uma análise como esta, tem que ser a definição dos objetos a serem estudados, no caso o Capitalismo e o Desenvolvimento Sustentável. Entretanto, a conceituação desses termos por se só já seria matéria de estudo árduo e moroso demais para a elaboração deste artigo. Assim, teremos que nos valer de conceitos simplificados com um alto grau de abstração em suas definições.
Os discursos ambientalistas originados das noções de desenvolvimento sustentável apresentam pelo menos duas vertentes de interpretação: A primeira trata a sustentabilidade com ênfase na questão ambiental e está mais presente nos países de capitalismo avançado. Esta vertente tende a defender uma nova relação do ser humano com a natureza, seja em sua dimensão técnica, seja existencial. A segunda vertente não consegue visualizar a questão ambiental sem ressaltar a dimensão da eqüidade social. Esta vertente está mais presente nos países periféricos, e nas camadas mais pobres da sociedade capitalista. No nosso caso, Brasil, a segunda vertente é a que melhor irá se adequar a presente análise, então essa será a definição de Desenvolvimento Sustentável que utilizaremos.
Outra definição que se faz necessária, e a do que seja Capitalismo, e segundo O AURÉLIO Capitalismo é: “Sistema econômico e social baseado na propriedade privada dos meios de produção, na organização da produção visando o lucro e empregando trabalho assalariado e no funcionamento do sistema de preços”. O que não está explícito neste conceito e que deve ser ressaltado é a forma a qual se dá essa organização de modo à obtenção dos lucros, e como se dá essa relação de assalariamento. A característica do capitalismo que nos é relevante para a atual análise, é apontada por Karl Marx em que a fonte de acumulação capitalista está baseada na extração da mais-valia (apropriação da produção excedente gerada pelo processo de modernização da produção), excedente esse que pode ser gerado em detrimento da utilização indiscriminado dos recursos humanos e naturais. Cabe aqui expor os problemas que estas práticas produtivas impõem à natureza e ao ecossistema e ressaltar o caráter concentrador de riquezas e de benefícios sociais a ela associado. Para se ter uma idéia do grau de contradição gerada no próprio meio de produção capitalista, essa busca pela produção e apropriação de excedente na produção gera a conseqüente procura por novas tecnologias que cada vez mais viabilizem o aumento da produção, e ao mesmo tempo, a busca por práticas alternativas a essas tecnologias que possam baratear o custo da produção. Considerando que o modo de produção Capitalista, por si só já apresente contradições quanto a sua própria forma de acumulação, o que dizer de sua base de sustentação, que são a mão de obra assalariada e os recursos de matérias primas extraídos da natureza? O fato é que o capitalismo enquanto tenta absorver cada vez mais desses recursos, provoca seu desgaste e tende a dizimar suas bases de sustentação. Assim, tal característica, inerente ao capitalismo, contraria os princípios do conceito de sustentabilidade adotado, quando compromete o bem-estar da população, uma vez que o processo de acumulação é concentrador de riqueza e que a concentração gera pobreza e até miséria. De fato, pelo que prega nosso conceito de desenvolvimento sustentável, esse se dá pelo crescimento da economia com a preservação do meio ambiente e bem-estar social. Entretanto, o crescimento do Capitalismo se dá com o aumento do excedente e da acumulação, que tendem a gerar escassez de recursos e concentração de riqueza, que descaracterizam o desenvolvimento sustentável.
Assim, a busca pelo equilíbrio entre crescimento, bem-estar social e natureza perdura nos discursos científicos, sem sabermos se estamos ou não cada vez mais perto ou cada vez mais longe de alcançar o chamado Desenvolvimento Sustentável. Com tantas contradições, a resposta àquela pergunta perece ainda distante, e nos leva a crer que o Desenvolvimento Sustentável é inviável ao Capitalismo, e que o capitalismo é inviável ao Desenvolvimento Sustentável.